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TURISMO

Praia de Sabino volta a ser própria para banho e anima banhistas da Noroeste Paulista

Nova tecnologia com boias de ultrassom reduz algas no Tietê e reacende o movimento nas prainhas usadas por turistas de Mirassol e região

Publicado em 26/09/2026 às 10:52
Atualizado em

(Foto: Google imagens)

(Foto: Google Imagens)

Depois de oito meses de restrições, a Praia Municipal de Sabino, às margens do Rio Tietê e localizada a cerca de 100 quilômetros de Mirassol, voltou a ser considerada própria para banho pela Cetesb. A liberação anima moradores de Mirassol e da região Noroeste Paulista, que costumam lotar as prainhas de água doce aos finais de semana.

A Cetesb monitora oito praias ao longo do Médio e Baixo Tietê. No boletim válido até 25 de setembro, seis estão próprias para banho: Sabino, Anhembi, Rio Bonito (Botucatu), Arealva, Mendonça e Ubarana. Apenas Iacanga e Sales seguem impróprias. Na prática, isso significa mais opções seguras para quem sai de cidades como Mirassol, São José do Rio Preto, Bady Bassitt, Mirassolândia, Jaci, Monte Aprazível, Neves Paulista e Bálsamo em busca de lazer às margens do rio.

Sabino: tecnologia contra a “nata verde”

Localizada no reservatório de Promissão, a Praia Municipal de Sabino ficou 245 dias com alerta, principalmente por causa da proliferação de algas que formam a chamada “nata verde” na superfície da água. Em alguns períodos, também foram detectados níveis elevados da bactéria E. coli, indicando presença de esgoto ou dejetos de animais.

Há dois meses, a Cetesb instalou 14 boias inteligentes em um braço do Tietê – o Córrego do Esgotão – que influencia diretamente a qualidade da água na área de banho. As boias emitem ondas de ultrassom que atrapalham a permanência das algas na superfície. Sem luz suficiente para fazer fotossíntese, elas perdem força para crescer e se reproduzir, reduzindo a formação da “nata verde”.

Segundo a Cetesb, a concentração de microcistina – toxina produzida por certas algas – caiu 91,5% desde o início da operação: de 23 microgramas por litro (em 17 de agosto) para 1,95 micrograma por litro (em 15 de setembro), bem abaixo do limite de 5 microgramas por litro usado para liberar o banho.

Impacto direto nas prainhas da região

Para quem mora em Mirassol e costuma frequentar os balneários do Tietê, o novo cenário é visto como um avanço. Prainhas em cidades como Mendonça e Ubarana, tradicionalmente procuradas por moradores da região de São José do Rio Preto, também estão com classificação favorável, de acordo com o monitoramento estadual.

O diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo, afirmou que o resultado de Sabino é “promissor” e poderá orientar o uso da mesma tecnologia em outros municípios banhados pelo Tietê que enfrentam problemas semelhantes com algas. A expectativa é de que, mantida a efetividade ao longo de um ano de testes, mais trechos de rio usados para recreação recebam boias de ultrassom.

Monitoramento vai do rio ao espaço

Além do projeto-piloto em Sabino, a Cetesb passou a usar, desde junho, imagens de satélite combinadas com inteligência artificial para acompanhar cerca de mil quilômetros do Tietê, de Suzano a Itapura, bem como o Rio Pinheiros e reservatórios da bacia.

As imagens, atualizadas semanalmente, permitem identificar manchas de algas e alterações na superfície da água em áreas de aproximadamente três metros por três metros. Quando há mudança relevante, o sistema emite alertas e direciona equipes para coletas e vistorias.

Na prática, as duas tecnologias se complementam: as boias fazem o trabalho contínuo de controle das algas em pontos críticos, enquanto os satélites ajudam a enxergar, de uma só vez, grandes trechos do rio que são usados como área de lazer por moradores de diferentes regiões do estado – inclusive o Noroeste Paulista.

Atenção redobrada dos banhistas

Mesmo com a melhora, especialistas recomendam que quem viaja de Mirassol e cidades vizinhas para as prainhas do Tietê continue acompanhando semanalmente os boletins da Cetesb, disponíveis no site da companhia. A classificação das praias pode mudar conforme a chuva, a estiagem e o aumento de temperatura, que influenciam tanto a proliferação de algas quanto o carreamento de sujeira para o rio.

O programa Integra Tietê, lançado em 2023, já destinou mais de R$ 25 bilhões para ações de saneamento, desassoreamento e recuperação ambiental na bacia. Entre 2024 e 2026, a carga orgânica transportada pelo Tietê na saída da Região Metropolitana de São Paulo caiu 29,4%, o que indica redução na poluição por esgoto.

Fonte: Portal da Cidade Mirassol

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